sábado, 9 de fevereiro de 2008

Viriato

Viriato (179-139 bC)

Após a segunda guerra púnica * (218-201 aC), Roma dominava o Leste e o Sul da Península Ibérica. As zonas Oeste e Norte eram ainda dominadas por populações indígenas (iberos) e celtas. Uma federação de tribos lusitanas, que habitavam as regiões mais ocidentais, resistiu à penetração romana, sob a liderança brilhante de Viriato, de 147 a 139 aC.

As batalhas entre tribos lusitanas e o império romano tiveram início cerca do ano 193 bC. Supôe-se que Viriato, filho de Comínio, terá nascido na localidade de Aritius Vetium (actual Alvega), e que terá tido de algum modo acesso a vários aspectos culturais e experiências, para além das actividades de pastor de rebanhos e caçador, que lhe permitiram desenvolver a guerra de guerrilha, com estratégias e tácticas sofisticadas, chegando mais tarde a dialogar positivamente com os representantes de Roma, e alcançando inclusivé a designação de "Amicus Populi Romani", ou seja, aliado em paz com Roma.


Em 150 aC, o pretor romano Sérvio Sulpício Galba aceita uma proposta de paz, em que se incluia o desarmamento dos lusitanos. No entanto, Galba não cumpriu a sua parte do acordo, procedendo ao massacre de cerca de 10 mil lusitanos, sendo outros 20 mil enviados para a Gália, onde foram vendidos como escravos. Viriato foi, afortunadamente, um dos poucos sobreviventes a esta chacina.

Viriato aparece na História quando, em 147 aC, se opôe à rendição dos lusitanos a Caio Vetílio, que os tinha cercado no vale de Betis , na Turdetânia. Viriato lembra aos seus companheiro a traição anterior de Galba.

A fama de Viriato como guerreiro e estratega foi crescendo entre as várias tribos lusitanas, o que lhe permitiu vir a tornar-se o líder efectivo de uma coligação de tribos lusitanas, pela primeira vez na história unidas por um objectivo comum.

Derrota os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície do Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, fazendo nas fileiras inimigas uma espantosa chacina, tendo sido morto o próprio Vetílio.

Em 145 AC Quinto Fábio Máximo, irmão de Cipião "O Africano" é nomeado cônsul na Hispania Citerior e é encarregado da campanha contra Viriato ao comando de duas legiões. Ao princípio tem algum êxito, mas Viriato recupera e em 143-142 aC volta a derrotar os romanos em Baecula e obriga-os a refugiar-se em Córdova.

Simultaneamente, seguindo o exemplo do chefe lusitano, as tribos celtibéricas da Hispânia Citerior (Belos, Titos e Arevacos) revoltavam-se contra as prepotências romanas, acendendo uma luta que só terminaria em 133 aC, com a queda de Numância.

Em 140 aC Viriato derrota o novo consul Fábio Máximo Serviliano, matando mais de 3.000 romanos, encurralando o inimigo e podendo destroçá-lo; no entanto, deixou Serviliano libertar-se da posição desastrosa em que se encontava, em troca de promessas e garantias de os lusitanos conservarem o território que haviam conquistado. Em Roma, esse tratado de paz foi mais tarde considerado humilhante e vexatório; como consequência, o Senado romano volta atrás na sua palavra, e declara guerra a Viriato.


A destruição de Cartago, o principal centro de oposição ao poder de Roma, terá sido um elemento importante na viragem da guerra, pois Roma pôde reforçar as suas tropas nas restantes frentes, incluindo, claro, a frente ibérica.

Em consequência da atenção e poder militar concentrado de novo na Iberia, para além da desmilitarização lusitana que entretanto aconteceu, as tropas romanas conseguem levar Viriato a refugiar-se a norte do rio Tejo, num lugar denominado "monte de vénus" (presumivelmente localizado entre Cáceres e Badajoz). Face aos avanços do general romano Quinto Servílio Cipião, Viriato, em posição difícil, enviou-lhe três emissários (Audax, Ditalco e Minuro) para negociar a paz.

Em 139 aC, Viriato foi assassinado durante o sono, por estes mesmos três emissários. Após o assassinato, estes refugiaram-se junto do procônsul romano Servílio Cipião, reclamando o prémio prometido. No entanto, o procônsul ordenou a sua execução, tendo ficado os três expostos em praça pública com os dizeres "Roma não paga a traidores".

O exército lusitano, chefiado por Táutalo, até então o braço direito de Viriato, tentou ainda uma incursão contra os territórios do Sul, mas foi vencido.


Depois da morte de Viriato, Decius Junius Brutus conseguiu finalmente marchar para Norte, através da lusitânia central, e dominar a Gallaecia. Começou então, efectivamente, a ocupação romana do extremo ocidental da Hispânia.

Após a governação de Júlio César, o imperador Augusto fundou a cidade de Emerita Augusta (hoje Mérida), no ano 25 aC, tornando-a a capital da província romana Lusitania, por ele constituída no ano 5 aC.


A luta lusitana pela independência continuaria ainda mais tarde, através do apoio a Sertório, e passando pela criação de um estado lusitano na zona oeste da península ibérica, no séc. I dC.

A identificação de Portugal com a Lusitania, e dos antecessores dos portugueses como sendo os lusitanos (ideia que está na origem do título dos "Lusíadas" de Camões) é hoje largamente ignorada, mas a criação da Lusitania terá certamente tido influência na formação de um reino independente chamado Portugal, vários séculos mais tarde.

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(*) Segunda Guerra Púnica: segunda de uma série de guerras entre a República Romana e o Império Cartaginês (ou Púnico - palavra derivada de Phoenike, como os Fenícios eram então designados pelos romanos), das quais resultou a hegemonia romana sobre o Mediterrâneo Ocidental.

Repórter português triunfa no World Press Photo


PAULA BRITO
Fotografia. Miguel Barreira foi o único português distinguido no prémio mais importante do mundo para os repórteres, com a imagem de um 'bodyboarder' numa onda gigante no mar da Nazaré. Mas o grande vencedor foi um britânico com 'o soldado exausto' no teatro de guerra do Afeganistão "Decidi arriscar e..." o resultado está à vista. Miguel Barreira, repórter há quase dez anos a captar imagens na área do desporto, foi distinguido com um prémio World Press Photo 2007.

Confessando-se feliz, o repórter do Record ganhou o 3.º prémio na categoria de Sport Action com uma fotografia a preto e branco do desportista Jaime Jesus, que participava num campeonato de bodyboard, a 16 de Dezembro, na Nazaré.

Ao DN, Miguel Barreira lem- bra que a sua foto captou uma "situação quase demoníaca", em que o bodyboarder desaparece "durante alguns segundos, uma eternidade". E, continua, "estávamos todos muito tensos, pois a linha que separava o heroísmo e o desastre era muito ténue".

Este é o resultado de uma candidatura que incluiu ainda a foto do famoso soco de [Luís Filipe] Scolari no jogo da selecção portuguesa contra a Sérvia. Foi justamente com esta imagem, via Associated Press (AP), que Miguel Barreira confessa ter sentido, pela primeira vez, "a força de uma fotografia como um documento", quando ela apareceu em todos os motores de busca do mundo.

Grande prémio

Mas o grande vencedor do World Press Photo foi o britânico Tim Hetherington, com uma imagem de um soldado norte-americano abrigando-se, esgotado, num bunker, no Afeganistão, publicada na revista Vanity Fair. Tirada a 16 de Setembro, descreve a "exaustão de um homem, a exaustão de uma nação", segundo o presidente do júri do prémio, Gary Knight. O repórter vai receber 10 mil euros, numa cerimónia, em Amesterdão, dia 27 de Abril.

A agência Getty Images arrecadou cinco galardões, nomeadamente os das principais categorias, em que se incluem as fotos do assassínio de Benazir Bhutto, líder da oposição no Paquistão, enquanto a AP venceu em duas categorias.|

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Rui Costa

Rui Manuel César Costa, OIH, nasceu a 29 de Março de 1972, e a sua infância foi passada no bairro da Damaia, concelho da Amadora, distrito de Lisboa.

Aos cinco anos entrou para a equipa de infantis de futebol de salão do Damaia Ginásio Clube. Quatro anos depois, com 10 anos de idade, tentou a sua sorte nos treinos de captação do Sport Lisboa e Benfica. Passados dez minutos de treino Eusébio, que estava a observar os futuros craques, ficou impressionado com as habilidades do jovem jogador. Durante oito anos aprimorou a qualidade e o estilo nas camadas jovens do SL Benfica até 1990, onde esteve emprestado um ano ao Fafe. Regressou ao Benfica onde venceu uma Taça de Portugal - em 93 - e o titulo de campeão nacional - 93/94. A Fiorentina interessou-se e desembolsou 1,2 milhões de contos (cerca de 6 milhões de euros), uma transferência milionária para a época. A transferência serviu como um balão de oxigénio para as finanças do clube.

Rui Costa jogou sete épocas na Fiorentina onde venceu duas Taças de Itália. Apesar das dificuldades conseguiu ser eleito algumas épocas o melhor nº10, tirando o lugar a jogadores de grande gabarito como Zidane, jogador da Juventus. Muitas foram as vezes em que se falou da sua saída, mas Rui Costa manteve-se até a entrada em falência do clube de Florença.

Concretizou-se então a transferência para o AC Milan, de novo sobre nova quantia milionária, cerca de 35 milhões de euros. Rui Costa jogou cinco temporadas no AC Milan onde no total conquistou 1 Taça de Itália, 1 Liga dos Campeões, 1 Supertaça de Itália, 1 Campeonato e 1 Supertaça Europeia.

Em 2004 fez o seu último jogo pela selecção portuguesa, jogo esse na final do Euro 2004, em Portugal, no Estádio da Luz frente à selecção da Grécia. De salientar ainda que Rui Costa se sagrou campeão do mundo em 1991 na categoria de sub-21, vencendo na final o Brasil no desempate por pontapés da marca de grande penalidade. A final foi realizada no antigo Estádio da Luz e Rui Costa marcou o penalty vitorioso.

Um dos jogos mais marcantes da sua carreira foi um jogo amigável entre o SL Benfica e a Fiorentina, no qual marcou um golo ao seu antigo clube. Não festejou, chorou ao marcar e ouviu um Estádio da Luz repleto a aplaudi-lo.

No dia 25 de Maio de 2006 foi apresentado como novo jogador do Sport Lisboa e Benfica. A transferência, desta vez, foi a custo zero e só foi possível porque Rui Costa e AC Milan rescindiram o acordo que os ligava por mais uma época. Rui Costa abdicou, com a vinda para o SL Benfica, de cerca de 700 mil euros ano. Desta maneira a casa que o viu nascer como futebolista e que todos os anos sonhava com o seu regresso abre-lhe as portas para que Rui Costa possa acabar a carreira no clube do seu coração.

Terminada a primeira época no Sport Lisboa e Benfica após o seu regresso, a sua necessidade na equipa foi colocada em causa por o milionário português Joe Berardo, sendo este último o autor de uma Oferta Pública de Aquisição sobre a SAD do Sport Lisboa e Benfica.

Mas este novo ano Rui Costa está apostado em demonstrar que ainda tem muito valor para dar ao Sport Lisboa e Benfica.


Clubes

  • Sport Lisboa e Benfica (1 Taça de Portugal, 1 Campeonato Nacional)
  • Fiorentina (2 Taças de Itália)
  • AC Milan (1 Taça de Itália, 1 Supertaça de Itália, 1 Campeonato, 1 Liga dos Campeões e 1 Supertaça Europeia)

Selecção Portuguesa

  • Número de internacionalizações: 94
  • Número de golos na selecção: 26
  • Primeira participação na selecção: 1993-03-31

Titulos

  • UEFA Champions League (2003)
  • Supertaça Europeia (2003)
  • Serie A Italiana(2004)
  • Supertaça Italiana (1996)
  • Campeonato da primeira divisão de Portugal (1994)
  • Taça de Portugal (1993)
  • Taça de Itália (1996,2001,2003)
  • Vencedor do campeonato do mundo sub-21 (1991)
  • Quartos de Final Euro 1996
  • Semi Finalista Euro 2000
  • Convocado para o Campeonato mundial de futebol de 2002
  • Finalista Vencido Euro 2004


Rainha Santa Isabel

Isabel de Aragão, OSC (ou, usando a grafia medieval portuguesa, Helisabeth; Saragoça, 1271 - Estremoz, 4 de Julho de 1336), foi uma infanta aragonesa e, de 1282 até 1325, rainha consorte de Portugal.

Passou à história com a fama de santa, tendo sido beatificada e posteriormente canonizada. É popularmente conhecida como a Rainha Santa Isabel ou, simplesmente, A Rainha Santa.


Origens

Isabel era filha do rei Pedro III de Aragão e de Constança da Sicília. Por via materna, era descendente do grande Imperador Romano-Germânico Frederico II, pois o seu avô materno era Manfredo de Hohhenstauffen, rei da Sicília, filho de Frederico II. Teve cinco irmãos, entre os quais os reis aragoneses Afonso III e Jaime II, para além de outro monarca reinante, Frederico II da Sicília. Para além disso, por via materna estava também relacionada com a sua tia Santa Isabel da Hungria, também considerada santa pela Igreja Católica.

Casamento

Casou-se por procuração com o soberano português D. Dinis em Barcelona, aos 11 de Fevereiro de 1288, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, em Trancoso, em 26 de Junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou essa vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prebendas destinadas à manutenção da sua pessoa, e entre as quais se encontravam, por exemplo, as vilas de Óbidos, Alenquer, Torres Vedras, bem como outras povoações da região hoje conhecida como Oeste).

O rei não lhe teria sido inteiramente devotado, e parece que visitaria damas nobres para os lados de Odivelas. A rainha, ao saber do sucedido, ter-lhe-á apenas respondido: Ide vê-las, Senhor. Com os tempos, de acordo com a tradição popular, uma corruptela de ide vê-las originou o moderno topónimo Odivelas (versão, contudo, que não é sustentada pelos linguístas).

Apesar de tudo, Isabel parece ter sido muito piedosa e passou grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos pobres. Por isso mesmo, ainda em vida começou a gozar da reputação de santa, tendo esta fama aumentado após a sua morte.

As rainhas de Portugal contaram, desde muito cedo, com os rendimentos de bens, adquiridos, na sua grande maioria, por doação. D. Isabel de Aragão recebeu como dote, em 1281, Abrantes, Óbidos e Porto de Mós. Posteriormente deteve ainda os castelos de Vila Viçosa, Monforte, Sintra, Ourém, Feira, Gaia, Lamoso, Nóbrega, Santo Estêvão de Chaves, Monforte do Rio Livre, Portel e Montalegre, para além de rendas em numerário e das vilas de Leiria e Arruda (1300), Torres Novas (1304) e Atouguia (1307). Eram ainda seus os reguengos de Gondomar, Rebordões, Codões, para além de uma quinta em Torres Vedras e da lezíria da Atalaia.

Rainha da paz

Na década de 1320, o seu filho e herdeiro, Afonso IV de Portugal, sentindo em perigo a sua posição em favor de um filho bastardo do rei Dinis, também chamado Afonso, declarou abertamente a guerra a seu pai, chegando-se quase à luta na peleja de Alvalade. No entanto, a intervenção da rainha conseguiu serenar os ânimos – pela paz assinada em 1325 nessa mesma povoação dos arredores de Lisboa, foi evitado um conflito armado que teria ceifado muitas vidas inutilmente.

Pouco depois da morte do marido, Isabel recolheu a um convento franciscano em Coimbra (Santa Clara-a-Velha) vestindo o hábito de Clarissa mas não fazendo votos (o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade). Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336. Nessa altura, tendo Afonso declarado guerra ao seu sobrinho, o rei de Castela, Afonso XI, filho de Constança, infanta de Portugal, e, portanto, neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua esposa D. Maria (filha do rei português), a rainha Santa Isabel, não obstante a sua idade avançada e a sua doença, dirigiu-se a Estremoz, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos desavindos (entre o seu filho e seu neto materno) e de novo evitou a guerra.

Falecimento e legado

Isabel faleceu pouco tempo depois, em Estremoz, em 4 de Julho de 1336 tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, (onde hoje em dia, após ter estado por 400 anos parcialmente submerso pelo Mondego, decorre uma escavação arqueológica) sendo a viagem demorada havia o receio do cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que se fazia, e conta-se que a meio da viagem debaixo de um calor abrasador começou o ataúde a abrir fendas e por elas escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que na vez do mau cheiro esperado saída do ataúde um aroma suavíssimo. O rei Dinis, seu marido, repousa em Odivelas no Convento de São Dinis.

Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua santificação, pelo Papa Urbano VIII em 1625. É reverenciada a 4 de Julho, data do seu falecimento.

No século XVII, a Rainha D.Luísa de Gusmão, Regente em nome de seu filho D.Afonso VI, transformou em Capela o quarto em que a Rainha Santa Isabel havia falecido no castelo de Estremoz.

Actualmente, inúmeras escolas e igrejas ostentam o seu nome em sua homenagem.

Descendência

Do seu casamento com o rei D. Dinis teve dois filhos:

A lenda do milagre das rosas

Conta-se que, certa vez, numa manhã de Inverno, a rainha, decidida a ajudar os mais desfavorecidos, teria enchido o regaço de seu vestido com pães, para os distribuir. Tendo sido apanhada pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha exclamou: São rosas, Senhor!, ao que este, com desconfiança, inquiriu: "Rosas, no Inverno?". Com efeito, ao abrí-lo, teriam brotado rosas do regaço do vestido da soberana, ao invés dos pães que ocultara. Este evento ficou conhecido como milagre das rosas.

Observe-se que esta lenda é versão de outra, que se conta a propósito da sua tia, também canonizada:

ISABEL DE PORTUGAL

Filha do rei D. Manuel I e da rainha D. Maria, sua segunda mulher, Isabel nasceu em Lisboa, no dia 25 de Outubro de 1503. Imperatriz perfeitíssima lhe chamaram mais tarde os cronistas espanhóis. Numa Europa repleta de grandes convulsões politicas, religiosas e sociais, ela soube ser a mulher e a colaboradora do poderoso Carlos V. A sua beleza não foi um mito - basta olhá-la, serena e majestosa, pintada por Ticiano.
As primeiras negociações sobre o enlace entre D. Isabel e o imperador Carlos V (hoje as revistas diriam "o casamento do século"!) começaram no Outono de 1522, entre D. João III, seu irmão, e a corte espanhola. Ficaram acordados dois casamentos, o de D. João III com Catarina, irmã de Carlos e o de Isabel de Portugal com o imperador. O rei português casou primeiro e os trâmites para o casamento de Isabel demoraram mais uns tempos. Nestas coisas de casamentos, não há nada como uma "fada madrinha", e a recém- rainha de Portugal escreveu ao irmão a falar-lhe das muitas virtudes e beleza de Isabel, sua cunhada. Na Primavera de 1525, veio a Portugal o embaixador espanhol para tratar dos dois esponsais, tendo as primeiras negociações sido firmadas em 17 de Outubro de 1525.Almeinim foi o local escolhido. E aqui foi também celebrada a cerimónia do casamento, por procuração, em 23 de Outubro de 1525. Presidiu à cerimónia o bispo de Lamego, D. Fernando de Vasconcelos.
A partir daquele dia, Isabel de Portugal era já imperatriz. Houve festas e bailes e foi representada, pela primeira vez, a comédia Dom Duardos, de Gil Vicente. O dote da imperatriz foi de 900 mil dobras de ouro castelhanas, o que era uma enorme fortuna. Em Janeiro de 1526, começaram os preparativos da partida da imperatriz Isabel de Portugal para Espanha.
Com 22 anos, D Isabel parte rumo a Badajoz com uma grande comitiva. A comodidade da época não ia além de uma liteira, sendo o destino Sevilha. De Toledo, onde Carlos V tinha a corte, veio "um luzido acompanhamento", para fazer as honras à futura imperatriz. Carlos V mandou três emissários da mais alta honorabilidade. D. Isabel chegou a Elvas no dia 6 de Janeiro, acompanhada dos irmãos, D Luís e D. Fernando. Ao chegarem à fronteira, deram-lhe por montada uma linda "faca" branca, termo que significa cavalo pequeno, leve e magro, para maior comodidade na viagem.
Entrou em Espanha no dia 7. A cerimónia de troca de séquito ocorreu na fronteira, perto do rio Caia. A lindíssima D. Isabel, serena e sem mostrar o mínimo cansaço, ouviu o irmão Luís dizer as palavras do protocolo ao duque de Calábria: "Senhor, entrego a Vossa Alteza a imperatriz minha Senhora, em nome do rei de Portugal, meu senhor e irmão, como esposa que é da cesárea majestade do imperador." No final, em vez do protocolar beija-mão, D. Isabel quis abraçar os seus irmãos.
A viagem demorou dois meses. No dia 10 ou 11 de Março de 1526, realizou -se o casamento com os noivos lado a lado, e a cidade de Sevilha engalanou as ruas e viveu dias de grande alegria. Quem esteve presente nas bodas dos imperadores observou os recém-casados e comentou: "(...) Entre os noivos há muito contentamento, pelo menos é o que parece (...), e quando estão juntos, embora esteja muita gente presente não reparam em mais ninguém, ambos falam e riem, e nunca outra coisa os distrai". Como alguém disse, Carlos e Isabel casaram sem se conhecer e amaram-se depois de se conhecerem.
Os noivos imperiais ficaram uns dias em Sevilha mas, para fugir ao calor, seguiram para Córdova, com destino a Granada, onde chegaram nos primeiros dias de Junho. Ficaram no Palácio do Alhambra, onde era notória a influência árabe. Os mouros de Granada ofereceram, como prenda de casamento a Carlos e Isabel, 80 mil ducados.
Carlos, atencioso e meigo, deu a Isabel, por divisa, "as três graças, tendo uma delas uma rosa, símbolo da sua formosura, um ramo de murta como símbolo do amor e a terceira uma coroa de carvalho simbolizando a fecundidade". D. Isabel, além de ter um rosto de um perfeito oval, "olhos de garça", cabelos longos e loiros, com uma figura "esbelta e harmoniosa", terá percebido na lua-de-mel que a sorte a bafejara. Os noivos ficaram no Palácio do Alhambra, mas as comitivas eram tão numerosas que os familiares do lado de D. Isabel ficaram hospedados em São Jerónimo, magnífico edifício renascentista. Depois da passagem de Carlos V por Granada (onde nunca estivera), o Palácio do Alhambra sofreu beneficiações. Nestes dias de felicidade, Carlos ofereceu um cravo a Isabel, flor que na altura não era muito vulgar. E diz-se que foi por este gesto que um dos símbolos da Andaluzia e de Espanha é o "clavel".
Em Dezembro, os imperadores partiram para Valladolid, onde chegaram no início do ano seguinte. Aqui, a imperatriz deu à luz, no dia 21 de Maio de 1527, o herdeiro do trono - Filipe (depois rei Filipe II de Espanha, Filipe I de Portugal). Sabe-se que o parto foi difícil e Isabel de Portugal sofreu muito. Como rainha, quis mostrar-se corajosa quando as dores eram quase insuportáveis. Num momento de maior sofrimento, estampado no rosto, a parteira pediu-lhe que gritasse, porque ajudava a descontrair-se, mas a imperatriz respondeu em português: "Não me faleis tal, minha comadre, que eu morrerei, mas não gritarei."
Isabel de Portugal tinha residência própria, independente da do marido, onde viviam quarenta damas e açafatas e mais de setenta jovens, rapazes e raparigas, alguns filhos do pessoal que lidava de perto com D. Isabel. Além da morada do imperador, havia as casas dos infantes e infantas (quando já tinham idade para serem independentes), e ainda o palácio da rainha Joana, mãe de Carlos, que vivia em Tordesilhas.
Foram contemporâneos de Carlos V e de Isabel de Portugal, umas vezes inimigos e outras vezes aliados, Francisco I de França, Henrique VIII de Inglaterra - que na sua sucessão de esposas contou também com uma tia de Carlos V - Catarina de Aragão e o poderosíssimo Soleimão, o Magnífico, senhor do império otomano no seu período de apogeu.
Enquanto Carlos V estava em guerra ou a negociar tratados de paz com países ou regiões da Europa, Isabel tinha as responsabilidades de regente. O seu cargo era, como ficou escrito, "lugarteniente dcl reino de Castilla". Foi regente entre 1529 e 1532 centre 1535 e 1539. Nessa qualidade, viajou bastante. Para amenizar as saudades e para tratar de assuntos importantes do império, Carlos e Isabel escreviam-se com regularidade. Por vezes, o imperador não escrevia durante meses, a ponto de preocupar a imperatriz, que numa carta lhe "ralhou", dizendo que ao menos lhe escrevesse "todos os vinte dias".
Devido ao clima demasiado quente de Toledo e de Sevilha, a imperatriz Isabel passava os Verões em Ávila, por ser mais ameno, pois sofreu diversas vezes de paludismo. Viajava no Outono, com regularidade, entre Toledo, Valladolid, Sevilha, Barcelona e Maiorca. Quando tinha notícia de que o marido ia regressar, mandava preparar uma recepção, com grande comitiva, mas durante o tempo em que estava sozinha com os filhos, as damas e conselheiros da corte, Isabel de Portugal fazia uma vida muito ascética.
Em 1529, nasceu a filha Maria e, mais uma vez, foi um parto doloroso e complicado. Durante os 16 anos de casamento, Carlos não procurou outra mulher, mesmo nos períodos de ausência de casa. Isabel de Portugal foi novamente mãe, em 1535. Esta filha, Joana, viria a casar com o príncipe João Manuel, filho de D. João III de Portugal e de D. Catarina. Ficou viúva e à espera de um filho, que viria a ser o malogrado rei D. Sebastião, morto em Alcácer-Quibir.
Quando Isabel de Portugal morreu de pós-parto, em 1539, o imperador estava ausente em Madrid e ficou muitíssimo amargurado. Refugiou-se no Mosteiro de Sisla, vestido de negro, cor que usou até ao fim dos seus dias. Rezava. E frequentemente os seus vassalos lhe viram lágrimas nos olhos. Temeu-se pela sua saúde, tal era o seu sofrimento pela ausência de Isabel. Para ter perto de si a imagem daquela que ele tanto amara, encomendou um retrato a Ticiano. Era costume fazerem-se as máscaras mortuárias dos falecidos ilustres e terá sido a partir dessa máscara de cera com as feições da imperatriz que Ticiano concebeu o retrato. Quando o imperador o viu, não o achou perfeito e quis que o mestre pintor retocasse o nariz de Isabel. E assim fez Ticiano. Aliás, pintou dois quadros quase iguais. Um desapareceu, anos mais tarde, num incêndio. Resta apenas aquele que acompanhou Carlos V quando se retirou para o Mosteiro deYuste, em 1556, e que esteve na grande exposição de Toledo, de Outubro de 2000 a Janeiro de 2001.
A vida de Francisco de Borja está indissoluvelmente marcada pela de Isabel de Portugal, porque este fidalgo viria a protagonizar uma história verídica, devido à morte da imperatriz.
Francisco de Borja serviu na corte de Carlos V, onde conheceu a sua futura mulher, dama que foi no séquito de Isabel de Portugal. Deste casamento, nasceram li filhos, tendo sobrevivido oito. Em Maio de 1539, quando morreu Isabel de Portugal, o imperador pediu-lhe que tratasse das exéquias. A imperatriz morreu em Toledo, mas foi a enterrar em Granada. Acompanhou-a também o filho Filipe, que estivera sempre muito próximo da mãe. Entre a morte e o dia "da tumulação", mediaram 16 dias. O calor era tal que, quando Francisco de Borja viu, ao abrirem a tampa do caixão, a face daquela que fora a mulher mais bela do seu tempo, completamente irreconhecível, ficou tão impressionado que terá dato que, a partir daquela data, não mais ser viria nenhum senhor na Terra. Iria dedicar-se, de alma e coração ao serviço de Deus. Ficou viúvo em 1546 e entrou para a Companhia de Jesus, tendo feito votos solenes em Fevereiro de 1548. Foi ordenado sacerdote em 1551 e viria a ser impulsionador da cristianização das colónias espanholas e do Brasil. Foi canonizado em Abril de 1671.
Isabel de Portugal, por desejo do filho Filipe, seria trasladada, em 1574, para o Mosteiro do Escorial,
Depois da morte de Isabel, Carlos V passou mais tempo isolado. Deixou pouco a pouco os negócios políticos e abdicou, em 1556, a favor do seu filho Filipe, que subiu ao trono como Filipe II de Espanha, enquanto que o seu irmão Fernando lhe sucedeu como imperador da Alemanha.
Nos seus tempos de juventude, Carlos teve uma filha, fruto dos amores por uma flamenga, Margarida Van der Gheist. Esta filha casará com um Médicis e depois, já viúva, com o duque de Parma. Já viúvo de Isabel de Portugal, aos quarenta e cinco anos, o imperador Carlos V teve uma relação amorosa com uma jovem, que lhe deu um filho - , João de Áustria. No recolhimento de Yuste, Carlos V não se afastou completamente da vida política, mas levou uma vida simples. Olhando para o retrato de Isabel, terá então recordado os anos de felicidade com a imperatriz perfeitíssima.
Carlos V da Alemanha, Carlos I de Espanha morreu a 21 de Setembro de 1558. Isabel e Carlos estiveram algum tempo separados, também na morte. Mas depois passaram a repousar lado a lado, no Mosteiro de São Lourenço do Escorial, panteão dos monarcas espanhóis, mandado construir por Filipe II.

A versão inicial deste texto foi publicada na revista Máxima nº 190. A presente versão, revista e actualizada pela autora, foi inserida no portal sem fins lucrativos O Leme em 12 de Abril de 2006.

domingo, 16 de setembro de 2007

Paula Rego

Paula Figueiroa Rego nasceu em 1935 em Lisboa. Partiu em 1954 para frequentar a Slade School of Art em Londres. Casada com um inglês permaneceu em Inglaterra, onde fixou residência, desde 1976. As suas raízes trazem-na regularmente a Portugal onde exibe com frequência.

Com um nome reconhecido em todo o mundo, é colocada entre os quatro melhores pintores vivos em Inglaterra.

A pintura de Paula Rego tem imaginação, monumentalidade e ousadia. A sua obra perturba e emociona. É misteriosa - tal como a artista. “Ela não se expõe demasiado, é curta nas palavras”, diz a fadista Kátia Guerreiro.

Com personalidade vincada, Paula Rego é conhecida pelos seus olhos profundos e pela forma peculiar como estes observam o mundo. Tem enorme capacidade de dissecar e criticar, retratando muito bem a realidade e as questões que considera prementes. Pinta a guerra, o aborto, mas também a metamorfose da obra homónima de Kafka, ou as mulheres de “O Crime do Padre Amaro”, de Eça de Queirós. A sua obra tem uma “força extraordinária” e, ainda por cima, frisa Mário Matos Ribeiro, produtor de moda, “cria ambientes tão banais, tão caseiros, que se torna perturbadora”. A maneira quase infantil de se expressar - tanto na pintura como na oralidade - faz de Paula Rego uma personagem intrigante, a quem ninguém fica indiferente. Em certos momentos, tem uma perturbante doçura. Noutros, uma assustadora agressividade. Mas os seus quadros são belos, como tudo o que é indomável.

Paula Figueiroa Rego nasceu em 1935 em Lisboa. As memórias mais marcantes são da casa dos avós paternos, onde costumava ficar sempre que os progenitores estavam em Inglaterra. Ali, os gansos, patos, pintos e galinhas ajudavam-na a passar o tempo. Além disto, desenhava muito. À medida que o fazia, as histórias cresciam dentro de si, vindo a sugerir novas narrativas como as que hoje se constroem a partir dos seus quadros.
“A obra de Paula Rego é muito pessoal, são coisas com que ela brincava quando era pequenina”, diz Maria José Palla, fotógrafa e professora universitária. A pintura sempre lhe serviu para expressar emoções: medo, injustiça, inveja ou terror.

Oriunda de uma família da alta burguesia, frequenta a St. Julian’s School, no Estoril. Ao reconhecerem o seu talento para a pintura, os professores incentivam-na a prosseguir. Não se avizinhava coisa fácil. Em Portugal, era uma carreira que estava destinada a homens ou a jovens de sociedade, enquanto breve devaneio diletante, antes de se tornarem esposas e mães.

Em 1954 Paula Rego parte para Londres, onde frequenta a Slade School of Art. O fim dos estudos determina outro futuro. Paula Rego conhece o pintor inglês Victor Willing, com quem casa, e aprende a fazer “arte de adulto”, como chama à pintura de cavalete.

Opta por viver em Inglaterra, embora exponha regularmente em Portugal. As suas exposições de pintura e desenho batem recordes de afluência, como foi o caso da última, no Museu de Serralves, no Porto: cerca de 300 mil visitantes. “Mantém o cordão umbilical ao país de origem. O seu nome estará para sempre ligado a Portugal”, afiança Kátia Guerreiro. Acima de tudo, como refere a escritora Inês Pedrosa, “é o exemplo de um português que cumpriu o sonho de ter sucesso lá fora”. Isto apesar de os Britânicos pensarem que Paula Rego é inglesa, como explica Maria José Palla: “Quanto tinha 15 anos, fui a Londres e só via Paula Rego por todo o lado, nas livrarias, na National Gallery, por todo o lado! Fiquei espantada! Como é que uma portuguesa poderia ocupar um espaço tão importante numa cidade como Londres?”

O professor universitário Delfim Sardo vai mais longe. Diz que Paula Rego se insere mais na pintura britânica do que na portuguesa. “A tipologia da pintura que foi desenvolvendo tem raízes mais próximas da arte britânica com que conviveu nos últimos 30 anos do que propriamente nas práticas artísticas nacionais.” Mas utiliza uma “vernaculidade na simbologia que é claramente portuguesa”, tendo sido convidada, pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, a pintar uma série de oito quadros sobre a vida da Virgem Maria para a Capela do Palácio de Belém, a sede da Presidência da República.

Com numerosas exposições individuais e colectivas, Paula Rego já arrecadou diversos prémios. “Pinto para dar uma face ao medo”, disse um dia. Nos recantos da sua voz nota-se candura, enquanto os seus olhos parecem vaguear por outros territórios. Depois de passar a casa dos 70 anos, a pintora demonstra a mesma curiosidade inabalável das crianças. É internacionalmente reconhecida e foi considerada, em Inglaterra, como um dos quatro melhores pintores vivos do mundo. Para Raquel Henriques da Silva, professora de História da Arte na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Paula Rego “é uma artista que resolveu, em fase avançada da carreira, fazer apenas o que lhe apetece. E o que lhe apetece é contar histórias em pintura”. Aprendeu a fazer o que quer - não o que os outros esperam dela.

Exposições Individuais

1965 SNBA, Lisboa
1971 Galeria São Mamede, Lisboa
1972 Galeria Alvarez, Porto
1974 Galeria da Emenda, Lisboa
1975 Módulo, Porto
1977 Módulo, Porto
1978 Galeria 111, Lisboa
1981 Galeria AIR, Londres
1982 Galeria 111, Lisboa

Galeria Edward Totah, Londres

1983 Arnolfini, Bristol

Galeria Espace, Amesterdão

1984 South Hill Park Arts Centre, Bracknell

Midland Group, Nottingham
Galeria Edward Totah, Feira de Arte de Zurique

1985 The Art Palace, Nova Iorque

Galeria Edward Totah, Londres

1987 Selected Work 1981-1986, Aberystwyth Arts Centre

Galeria Edward Totah, Londres

1988 Exposição Retrospectiva, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Exposição Retrospectiva, Casa de Serralves, Porto
Exposição Retrospectiva, Galeria Serpentine, Londres

1989 Nursery Rhymes, Marlborough Graphics Gallery, Londres

Galeria 111, ARCO, Madrid
Galeria 111, Lisboa

1990 Nursery Rhymes, Galeria 111, Lisboa

Nursery Rhymes, Galeria Zen, Porto

1990/91 Nursery Rhymes, Exposição Itinerante do South Bank Centre

Nursery Rhymes, Exposição Itinerante do British Council in Europa

1991/92 Tales from the National Gallery, Plymouth City Museum and Art Gallery

Tales from the National Gallery, Middlesborough Art Gallery
Tales from the National Gallery,Whitworth Art Gallery, Manchester
Tales from the National Gallery, Cooper Art Gallery, Barnsley
Tales from the National Gallery, National Gallery, Londres
Tales from the National Gallery, Laing Art Gallery, Newcastle
Tales from the National Gallery, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

1992 Galeria 111, Lisboa

Peter Pan e outras Histórias, Marlborough Fine Art, Londres

Peter Pan, série de 15 gravuras e águas-tintas, Marlborough Graphics, Londres

Peter Pan, Galeria Zen, Porto

1993 Galerias Trem e Arco, Faro

Peter Pan, Galeria 111, Lisboa

Nursery Rhymes, Cheltenham Literary Festival

1994 Dog Woman, Marlborough Fine Art, Londres, Art Gallery of Greater Victoria,

Victoria BC, Canada

1995 Nursery Rhymes, Ty Llen, Cardiff Literature Festival (Maio-Julho)

Nursery Rhymes and Peter Pan, Annandale Galleries, Sydney; Charles Nodrum Gallery, Melbourne

1996 Nursery Rhymes, University Gallery, University of Northumbria at Newcastle

Pendle Witches, Marlborough Gallery, Londres

Pendle Witches, Galeria 111, Lisboa

1996/97 Marlborough Gallery, Nova Iorque

1997 Pendle Witches, Galeria 111, Porto

Exposição Retrospectiva, Tate Gallery, Liverpool

Exposição Retrospectiva, Centro Cultural de Belém, Lisboa

Paula Rego-Gravura, Galeria do Forum, Leal Senado, Macau

Paula Rego-Pintura 1959-1997, Galeria de Exposições Temporárias, Leal Senado, Macau

1998 Pintura 1959-1997, Palácio dos Capitães Generais, Angra do Heroísmo

Pintura 1959-1997, Academia das Artes dos Açores, Ponta Delgada

O Crime do Padre Amaro,, Dulwich Picture Gallery, Londres

Pendle Witches, Galeria Marlborough, Madrid

1999 Paula Rego-Obra Reciente, Galeria Marlborough, Madrid

The Children’s Crusade, Una serie de 12 grabados, Galeria Marlborough, Madrid

O Crime do Padre Amaro e Untitled, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

2000 Pendle Witches, Children’s Crusade and Drawings, Abbot Hall Art Gallery, Kendal

Paula Rego, da colecção Manuel de Brito, Museu de Arte Contemporânea, Fortaleza de São Tiago, Funchal

2001 Lançamento do livro Meninas de Agustina Bessa-Luís com ilustrações de Paula Rego

Lançamento do livro O Regresso de Chamilly de Adília Lopes com ilustrações de Paula Rego

Nursery Rhymes e Outras Gravuras, Parque das Nações, Lisboa

Só Desenhos, Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, Lisboa

Celestina’s House, Abbot Hall Art Gallery, Kendal

2002 Celestina’s House, Yale Center for British Art, New Haven



Algumas Exposições Colectivas Recentes

1991-92 >From Bacon to Now - The Outsider in British Figuration, Palazzo Vecchio, Florenç

The Primacy of Drawing - An Artist’s View, exposição itinerante do South Bank Centre Bristol Museum and Art Gallery; Sotke-on-Trent Art Gallery; Graves Art Gallery, Sheffield

1992 Myth Dream and Fable , Angel Row Gallery, Nothingham

1992-93 Innocence and Experience, Manchester City Art Galleries and South Bank Centre, exposição itinerante, Ferens Art Gallery, Hull; Castle Museum, Nottingham: Kelvingrove

Art Gallery and Museum, Glasgow

Life into Paint: British Figurative Painting of the 20th Century, Israel Museum, Jerusalem


1993-94 Writing on the Wall-Women Writers on Women Artists, Tate Gallery, Londres;

Norwich Castle Museum; Arnolfine Gallery, Bristol

1994 Unbound Possibilities in Painting, Hayward Gallery, Londres

Colecção Manuel de Brito-Imagens de Arte Portuguesa do Século XX , Museu do Chiado, Lisboa

Waves of Influence, Snug Harbour Cultural Center, Statton Island, Nova Iorque

Here and Now, Serpentine Gallery, Londres

John Murphy, Avis Newman, Paula Rego, Saatchi Gallery, Londres; Contemporary

Arts Society Art Market, Festival Hall, Londres

1994-95 An American Passion-The Summer Collection of Contemporary British Painting,

McLellan Galleries, Glasgow, Royal College of Art, Londres

1995 Colecção Manuel de Brito-Imagens da Arte Portuguesa do Século XX, Leal Senado,

Forum, Macau; MASP, Museu de Arte de São Paulo; MAM, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Artistas Portugueses do Século XX , Casa do Povo, Cidade Proibida, Pequim

Galeria 111, FIAC, Paris

Open Studio, The Florence Trust, Londres



Summer Exhibition, Marlborough Fine Art, Londres

Peep, Brighton Museum em colaboração com The Institute of International Visual Art

New Acquisitions, National Portrait Gallery, Londres

1996 David Hockney: Six Fairy Tales from the Brothers Grimm; Paula Rego:Nursery

Rhymes, University Museum, Long Beach, Califórnia

Spellbound: Art and Film, Hayward Gallery, Londres

Galeria 111, FAC, Porto

1997 I Festival de Gravura de Évora

Festival de Arte Contemporânea, Marca-Madeira 97, Funchal

Feira do Livro de Frankfurt, Frankfurt

1998 Imaginários, Seduções, Universos, Galeria Municipal Gymnásio, Lisboa

O que há de Português na Arte Portuguesa do Século XX, Palácio Foz, Lisboa

Arte Contemporânea Anos 60/90, Galeria 111, Porto

Arte Portuguesa Anos 60/90, Galeria 111, Lisboa

Portugal em Pequim, Galeria Nacional de Arte da China, Pequim

8 Artistas da Galeria 111, Galeria da Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Funchal

A Escola de Londres. De Bacon a Bevan, Fondation Dina Vierny, Musée Maillol, Paris

1999 ARCO’99, Galeria 111, Madrid

    A Escola de Londres. De Bacon a Bevan, Auditório de Galicia, Santiago de Compostela

    Five Portuguese Painters, Guinness Hopstore, Dublin

2000 Um Oceano Inteiro para Nadar, Culturgest, Lisboa

A Visão do Paraíso, Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, Ericeira

Encounters: New Art from Old, National Gallery, Londres

British Art Show 5, Hayward Gallery, South Bank Centre Travelling Exhibition: Scottish National Gallery of Modern Art, Edinburgh; Southamptom City Art Gallery; National Museum of Wales, Cardiff; Birmingham Museum & Art Gallery

The School of London and their Friends – The Collection of Elaine and Melvian Merians, Yale Center for British Art, New Haven

2001 The School of London and their Friends – The Collection of Elaine and Melvian Merians Neuberger Museum of Art, Purchase

8 Pintoras Portuguesas, Fundação Bissaya Barreto, Coimbra

FAC’2001, Galeria 111, FIL, Lisboa





Prémios

1971 Prémio dos Críticos, Sóquil

1984 Premiada, TWSA Touring Exhibition, Newlyn Arts Centre, Penzance
1987 Prémio Benetton/Amadeo de Souza-Cardoso, Casa de Serralves, Porto
1989 Prémio Turner 89, Londres
1998 Prémio Bordalo da Casa da Imprensa 1997, Lisboa
1998 Prémio AICA’97, Lisboa
2001 Prémio Celpa/Vieira da Silva

Colecções Públicas

Arts Council, Londres

British Council, Londres
British Museum, Londres
Bristol City Art Gallery
Colecção Berardo, Museu de Arte Moderna, Sintra
Embaixada de Portugal, Londres
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
Leeds City Art Gallery, Leeds
Museu de Arte Contemporânea de Serralves Porto
National Gallery, Londres
National Portrait Gallery, Londres
New Hall, Cambridge
Rugby Museum and Art Galley
Saatchi Gallery, Londres
Tate Gallery, Londres
Victoria e Albert Museum, Londres
Witworth Art Gallery, Manchester

Nelson ÉVORA

PERSONAL BEST

Performance
Wind Place Date
Long Jump 8.10
-0.9 Milano 23 06 2007
Triple Jump 17.74
1.4 Osaka 27 08 2007

SEASON BEST

Performance
Wind Place Date
Long Jump 8.10
-0.9 Milano 23 06 2007
Triple Jump 17.74
1.4 Osaka 27 08 2007

PROGRESSION

Season Performance
Wind Place Date
Long Jump
2006 8.05
0 Thessaloniki 17 06 2006

2005 7.43
2 Lisboa 10 06 2005

2003 7.83
0.7 Tampere 25 07 2003

2002 7.66
1.5 Vila Real St António 02 06 2002

2001 7.55
1.5 Lisboa 16 06 2001
Triple Jump
2006 17.23
0.4 Göteborg 10 08 2006

2005 16.89
1.9 Erfurt 17 07 2005

2004 16.02
0.2 Lisboa 15 05 2004

2003 16.43
0.4 Tampere 27 07 2003

2002 15.87
-0.2 Kingston, JAM 20 07 2002

2001 16.15
-0.2 Braga 10 06 2001


Biography: Nelson ÉVORA ()


Sex Weight Height Date of birth Place of birth
M 62 1.81 20 04 1984



A Portuguese citizen officially since June, 2002. National Junior Championships: 2002 (1st, Long Jump & Triple Jump) National U23 Indoor Championships: 2006 (1st, Long Jump & Triple Jump) National Indoor Championships: 2003 (1st, Triple Jump); 2006 (1st, Long Jump & Triple Jump) National Championships: 2003 (1st, Triple Jump & 2nd, Long Jump); 2007 (1st, Long Jump & Triple Jump)
Osaca - O atleta português Nélson Évora sagrou-se hoje campeão do mundo no triplo salto, ao saltar 17,74 metros nos Campeonatos do Mundo de Osaca, no Japão.

Nelson Évora, de 23 anos, bateu o seu recorde pessoal e recorde nacional de 17,51 metros com a data de 21 de Julho de 2007, ao realizar hoje em Osaka um triplo salto de 17,74 metros.

Évora conseguiu assim a medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo, à frente de Jadel Gregorio (17,59 metros) e do norte-americano Walter Davis (17,33 metros), antigo detentor do título.

Ser português...que mania a tua

Pequeno pais à beira mar plantado, que pequenas pessoas sois vós? Não bastou os Descobrimentos e um ou dois álbuns de Fado tão na moda na "World Music"?

O primeiro requisito para ser português é saber que isto não é uma coisa muito boa, um quarto da população mundial é Chinesa e nós fomos logo calhar portugueses, isto é que é sorte...

Neste blogue quero prestar a minha homenagem a pobres coitados que desafiaram a sua nacionalidade e vingaram numa sociedade cada vez mais global. Não vou tentar ser justo, pois mesmo que o tentasse haveria sempre alguém esquecido, mas prometo que quem referir merecerá a distinção.

PS: O Salazar não vai ser homenageado, desculpem lá mas eu é que mando.

As origens

Afonso I, mais conhecido pelo seu nome de príncipe, Dom Afonso Henriques, (25 de Julho de 11096 de Dezembro de 1185) foi o primeiro rei de Portugal, conquistando a independência portuguesa em relação ao Reino de Leão.

Em virtude das suas múltiplas conquistas, que ao longo de mais de quarenta anos mais que duplicaram o território que o seu pai lhe havia legado, foi cognominado O Conquistador; também é conhecido como O Fundador e O Grande. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).

--filho de--

Henrique de Borgonha (1066Astorga, 24 de Abril de 1112) foi Conde de Portucale desde 1093 até à sua morte. Ele foi o filho de Henrique de Borgonha, herdeiro de Roberto I, Duque de Borgonha e de Beatriz ou Sibila de Barcelona. Era irmão de Eudes I.

Sendo um filho mais novo, Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Guerra de Reconquista. Ele ajudou, enquanto cruzado, o Rei Afonso VI de Leão e Castela a conquistar o Reino da Galiza, que compreendia aproximadamente a moderna Galiza e o norte de Portugal, recebendo como recompensa com a filha dele, Teresa de Leão com a qual casou.

Alguns anos mais tarde, em 1096, Henrique tornou-se também o Conde Portucalense, condado até à data dependente do reino de Galiza, derivado à má politica bélica que o seu primo, Conde Raimundo da Galiza, conduzia contra os Mouros.

--filho de--

Henrique de Borgonha (1035 - ca. 1074) foi o filho e herdeiro de Roberto I, Duque de Borgonha. Ele faleceu pouco antes do seu pai não o tendo por isso sucedido na Borgonha. Henrique casou com Sibila de Barcelona, filha dos Condes de Barcelona e teve os seguintes filhos:

--filho de--

Roberto I Capeto (1011 - 21 de Março 1076) foi Duque da Borgonha entre 1032 e a sua morte, e o primeiro duque da dinastia Capetiana que haveria de governar o ducado até ao século XIV. Roberto era o filho mais novo do rei Roberto II de França e irmão de Henrique I.

Roberto tornou-se Duque da Borgonha por doacção do seu irmão Henrique, depois da sua ascensão à coroa de França. Foi sucedido pelo seu neto Hugo I, filho de Henrique. O seu neto Henrique tornou-se Conde de Portugal e foi pai de Afonso Henriques.

Roberto II (Orleães, 27 de Março de 972 - Melun, 20 de Julho de 1031) cognominado o Pio ou o Sábio, foi o segundo monarca de França da dinastia capetiana, desde 996 até à sua morte. Era filho de Hugo Capeto, com quem reinou e a quem sucedeu, e de Adelaide da Aquitânia[1].

--filho de--

Hugo Capeto (93824 de Outubro de 996) foi rei dos francos de 987 a 996, o fundador da dinastia capetiana. Era filho de Hugo, o Grande, duque dos francos, e de Hedwige, ou Avoia, da Saxónia, filha de Henrique I da Saxónia, rei da Germânia.

Em 987, Hugo Capeto, duque dos francos, tornou Paris na principal cidade do país e o poderio do ducado estendeu-se gradativamente a toda a França, durante o período de lutas civis que acompanhou as três primeiras Cruzadas. Homem de grandes virtudes administrativas, não granjeou o poder por simpatias, mas sim por astúcia, força e o suborno.

Henrique, o Passarinheiro (Heinrich der Finkler ou Heinrich der Vogler, em alemão; Henricius Auceps, em latim) (876 – 2 de julho de 936) foi duque da Saxônia a partir de 912 d.C. e rei dos germanos (chamado Henrique I da Germânia) de 919 até a sua morte, em 936. Primeiro da dinastia otoniana de reis e imperadores germanos, é considerado o fundador e primeiro rei do império alemão medieval, até então conhecido como Frância Oriental. Recebeu o epíteto "passarinheiro" porque teria recebido a notícia de sua eleição como rei no momento em que consertava as suas redes de passarinhagem. Sucedeu-no no trono Otão I da Germânia.