sábado, 9 de fevereiro de 2008

Viriato

Viriato (179-139 bC)

Após a segunda guerra púnica * (218-201 aC), Roma dominava o Leste e o Sul da Península Ibérica. As zonas Oeste e Norte eram ainda dominadas por populações indígenas (iberos) e celtas. Uma federação de tribos lusitanas, que habitavam as regiões mais ocidentais, resistiu à penetração romana, sob a liderança brilhante de Viriato, de 147 a 139 aC.

As batalhas entre tribos lusitanas e o império romano tiveram início cerca do ano 193 bC. Supôe-se que Viriato, filho de Comínio, terá nascido na localidade de Aritius Vetium (actual Alvega), e que terá tido de algum modo acesso a vários aspectos culturais e experiências, para além das actividades de pastor de rebanhos e caçador, que lhe permitiram desenvolver a guerra de guerrilha, com estratégias e tácticas sofisticadas, chegando mais tarde a dialogar positivamente com os representantes de Roma, e alcançando inclusivé a designação de "Amicus Populi Romani", ou seja, aliado em paz com Roma.


Em 150 aC, o pretor romano Sérvio Sulpício Galba aceita uma proposta de paz, em que se incluia o desarmamento dos lusitanos. No entanto, Galba não cumpriu a sua parte do acordo, procedendo ao massacre de cerca de 10 mil lusitanos, sendo outros 20 mil enviados para a Gália, onde foram vendidos como escravos. Viriato foi, afortunadamente, um dos poucos sobreviventes a esta chacina.

Viriato aparece na História quando, em 147 aC, se opôe à rendição dos lusitanos a Caio Vetílio, que os tinha cercado no vale de Betis , na Turdetânia. Viriato lembra aos seus companheiro a traição anterior de Galba.

A fama de Viriato como guerreiro e estratega foi crescendo entre as várias tribos lusitanas, o que lhe permitiu vir a tornar-se o líder efectivo de uma coligação de tribos lusitanas, pela primeira vez na história unidas por um objectivo comum.

Derrota os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície do Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, fazendo nas fileiras inimigas uma espantosa chacina, tendo sido morto o próprio Vetílio.

Em 145 AC Quinto Fábio Máximo, irmão de Cipião "O Africano" é nomeado cônsul na Hispania Citerior e é encarregado da campanha contra Viriato ao comando de duas legiões. Ao princípio tem algum êxito, mas Viriato recupera e em 143-142 aC volta a derrotar os romanos em Baecula e obriga-os a refugiar-se em Córdova.

Simultaneamente, seguindo o exemplo do chefe lusitano, as tribos celtibéricas da Hispânia Citerior (Belos, Titos e Arevacos) revoltavam-se contra as prepotências romanas, acendendo uma luta que só terminaria em 133 aC, com a queda de Numância.

Em 140 aC Viriato derrota o novo consul Fábio Máximo Serviliano, matando mais de 3.000 romanos, encurralando o inimigo e podendo destroçá-lo; no entanto, deixou Serviliano libertar-se da posição desastrosa em que se encontava, em troca de promessas e garantias de os lusitanos conservarem o território que haviam conquistado. Em Roma, esse tratado de paz foi mais tarde considerado humilhante e vexatório; como consequência, o Senado romano volta atrás na sua palavra, e declara guerra a Viriato.


A destruição de Cartago, o principal centro de oposição ao poder de Roma, terá sido um elemento importante na viragem da guerra, pois Roma pôde reforçar as suas tropas nas restantes frentes, incluindo, claro, a frente ibérica.

Em consequência da atenção e poder militar concentrado de novo na Iberia, para além da desmilitarização lusitana que entretanto aconteceu, as tropas romanas conseguem levar Viriato a refugiar-se a norte do rio Tejo, num lugar denominado "monte de vénus" (presumivelmente localizado entre Cáceres e Badajoz). Face aos avanços do general romano Quinto Servílio Cipião, Viriato, em posição difícil, enviou-lhe três emissários (Audax, Ditalco e Minuro) para negociar a paz.

Em 139 aC, Viriato foi assassinado durante o sono, por estes mesmos três emissários. Após o assassinato, estes refugiaram-se junto do procônsul romano Servílio Cipião, reclamando o prémio prometido. No entanto, o procônsul ordenou a sua execução, tendo ficado os três expostos em praça pública com os dizeres "Roma não paga a traidores".

O exército lusitano, chefiado por Táutalo, até então o braço direito de Viriato, tentou ainda uma incursão contra os territórios do Sul, mas foi vencido.


Depois da morte de Viriato, Decius Junius Brutus conseguiu finalmente marchar para Norte, através da lusitânia central, e dominar a Gallaecia. Começou então, efectivamente, a ocupação romana do extremo ocidental da Hispânia.

Após a governação de Júlio César, o imperador Augusto fundou a cidade de Emerita Augusta (hoje Mérida), no ano 25 aC, tornando-a a capital da província romana Lusitania, por ele constituída no ano 5 aC.


A luta lusitana pela independência continuaria ainda mais tarde, através do apoio a Sertório, e passando pela criação de um estado lusitano na zona oeste da península ibérica, no séc. I dC.

A identificação de Portugal com a Lusitania, e dos antecessores dos portugueses como sendo os lusitanos (ideia que está na origem do título dos "Lusíadas" de Camões) é hoje largamente ignorada, mas a criação da Lusitania terá certamente tido influência na formação de um reino independente chamado Portugal, vários séculos mais tarde.

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(*) Segunda Guerra Púnica: segunda de uma série de guerras entre a República Romana e o Império Cartaginês (ou Púnico - palavra derivada de Phoenike, como os Fenícios eram então designados pelos romanos), das quais resultou a hegemonia romana sobre o Mediterrâneo Ocidental.

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Ser português...que mania a tua

Pequeno pais à beira mar plantado, que pequenas pessoas sois vós? Não bastou os Descobrimentos e um ou dois álbuns de Fado tão na moda na "World Music"?

O primeiro requisito para ser português é saber que isto não é uma coisa muito boa, um quarto da população mundial é Chinesa e nós fomos logo calhar portugueses, isto é que é sorte...

Neste blogue quero prestar a minha homenagem a pobres coitados que desafiaram a sua nacionalidade e vingaram numa sociedade cada vez mais global. Não vou tentar ser justo, pois mesmo que o tentasse haveria sempre alguém esquecido, mas prometo que quem referir merecerá a distinção.

PS: O Salazar não vai ser homenageado, desculpem lá mas eu é que mando.

As origens

Afonso I, mais conhecido pelo seu nome de príncipe, Dom Afonso Henriques, (25 de Julho de 11096 de Dezembro de 1185) foi o primeiro rei de Portugal, conquistando a independência portuguesa em relação ao Reino de Leão.

Em virtude das suas múltiplas conquistas, que ao longo de mais de quarenta anos mais que duplicaram o território que o seu pai lhe havia legado, foi cognominado O Conquistador; também é conhecido como O Fundador e O Grande. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).

--filho de--

Henrique de Borgonha (1066Astorga, 24 de Abril de 1112) foi Conde de Portucale desde 1093 até à sua morte. Ele foi o filho de Henrique de Borgonha, herdeiro de Roberto I, Duque de Borgonha e de Beatriz ou Sibila de Barcelona. Era irmão de Eudes I.

Sendo um filho mais novo, Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Guerra de Reconquista. Ele ajudou, enquanto cruzado, o Rei Afonso VI de Leão e Castela a conquistar o Reino da Galiza, que compreendia aproximadamente a moderna Galiza e o norte de Portugal, recebendo como recompensa com a filha dele, Teresa de Leão com a qual casou.

Alguns anos mais tarde, em 1096, Henrique tornou-se também o Conde Portucalense, condado até à data dependente do reino de Galiza, derivado à má politica bélica que o seu primo, Conde Raimundo da Galiza, conduzia contra os Mouros.

--filho de--

Henrique de Borgonha (1035 - ca. 1074) foi o filho e herdeiro de Roberto I, Duque de Borgonha. Ele faleceu pouco antes do seu pai não o tendo por isso sucedido na Borgonha. Henrique casou com Sibila de Barcelona, filha dos Condes de Barcelona e teve os seguintes filhos:

--filho de--

Roberto I Capeto (1011 - 21 de Março 1076) foi Duque da Borgonha entre 1032 e a sua morte, e o primeiro duque da dinastia Capetiana que haveria de governar o ducado até ao século XIV. Roberto era o filho mais novo do rei Roberto II de França e irmão de Henrique I.

Roberto tornou-se Duque da Borgonha por doacção do seu irmão Henrique, depois da sua ascensão à coroa de França. Foi sucedido pelo seu neto Hugo I, filho de Henrique. O seu neto Henrique tornou-se Conde de Portugal e foi pai de Afonso Henriques.

Roberto II (Orleães, 27 de Março de 972 - Melun, 20 de Julho de 1031) cognominado o Pio ou o Sábio, foi o segundo monarca de França da dinastia capetiana, desde 996 até à sua morte. Era filho de Hugo Capeto, com quem reinou e a quem sucedeu, e de Adelaide da Aquitânia[1].

--filho de--

Hugo Capeto (93824 de Outubro de 996) foi rei dos francos de 987 a 996, o fundador da dinastia capetiana. Era filho de Hugo, o Grande, duque dos francos, e de Hedwige, ou Avoia, da Saxónia, filha de Henrique I da Saxónia, rei da Germânia.

Em 987, Hugo Capeto, duque dos francos, tornou Paris na principal cidade do país e o poderio do ducado estendeu-se gradativamente a toda a França, durante o período de lutas civis que acompanhou as três primeiras Cruzadas. Homem de grandes virtudes administrativas, não granjeou o poder por simpatias, mas sim por astúcia, força e o suborno.

Henrique, o Passarinheiro (Heinrich der Finkler ou Heinrich der Vogler, em alemão; Henricius Auceps, em latim) (876 – 2 de julho de 936) foi duque da Saxônia a partir de 912 d.C. e rei dos germanos (chamado Henrique I da Germânia) de 919 até a sua morte, em 936. Primeiro da dinastia otoniana de reis e imperadores germanos, é considerado o fundador e primeiro rei do império alemão medieval, até então conhecido como Frância Oriental. Recebeu o epíteto "passarinheiro" porque teria recebido a notícia de sua eleição como rei no momento em que consertava as suas redes de passarinhagem. Sucedeu-no no trono Otão I da Germânia.